A paz do Senhor meus irmãos!
Essa é uma daquelas perguntas que parecem simples no começo... mas quando a gente para realmente para pensar, percebe que não é tão simples assim.
Como se define Deus?
E eu já quero começar fazendo uma distinção que, pra mim, é muito importante:
Dizer que Deus não pode ser definido não significa que a gente não possa falar nada sobre Ele.
Muito pelo contrário.
A Bíblia inteira fala sobre Deus. Fala sobre seus nomes, seus atributos, seu caráter, suas obras, sua vontade, sua justiça, sua misericórdia, seu amor, sua santidade... fala sobre como Ele se relaciona com o ser humano e com toda a criação.
Mas existe um limite.
Nós podemos conhecer verdadeiramente quem Deus é, porque Ele mesmo se revela.
Só que nunca vamos conseguir colocar tudo aquilo que Deus é dentro de uma definição humana.
E quando a gente percorre a Bíblia, de Gênesis até Apocalipse, uma ideia vai ficando cada vez mais clara:
Nós podemos conhecer verdadeiramente quem Deus é porque Ele se revela, mas jamais podemos esgotar aquilo que Deus é.
E essa diferença muda completamente a maneira como devemos pensar sobre Deus.
Afinal, o que significa “definir” alguma coisa?
Quando a gente define alguma coisa, normalmente está tentando explicar exatamente o que ela é.
Por exemplo...
Se eu digo:
“Triângulo é um polígono de três lados.”
Eu coloquei o triângulo dentro de uma categoria, “polígono”, e depois expliquei o que o diferencia dos outros polígonos, os três lados.
Só que quando a pergunta é:
“O que é Deus?”
a situação fica muito mais complicada.
Porque se eu disser:
“Deus é um ser.”
eu já coloquei Deus dentro de uma categoria chamada “seres”.
Mas a Bíblia apresenta Deus de uma maneira muito maior do que simplesmente mais um ser existente dentro da realidade.
Ele é o Criador de tudo o que existe.
Paulo diz:
“Porque dele, e por ele, e para ele são todas as coisas.”
— Romanos 11:36
E também:
“Nele vivemos, e nos movemos, e existimos.”
— Atos 17:28
Percebe a diferença?
Uma árvore existe porque Deus criou.
Uma pessoa existe porque Deus permitiu que ela existisse.
Os planetas existem porque Deus os criou.
Os anjos, a natureza, o universo... tudo aquilo que não é Deus depende dele.
Então Deus não é simplesmente mais uma coisa dentro da criação.
Deus é o Criador.
E é justamente por isso que qualquer definição humana corre o risco de ser pequena demais.
A teologia cristã clássica percebeu isso há muito tempo. Pensadores como Agostinho, Anselmo e Tomás de Aquino desenvolveram reflexões profundas sobre a transcendência e a simplicidade divina, entendendo que Deus não é um ser composto de partes como nós somos.
A Bíblia começa mostrando que Deus não é uma criatura
Isso aparece logo no primeiro versículo da Bíblia:
“No princípio criou Deus os céus e a terra.”
— Gênesis 1:1
Olha que interessante...
A Bíblia não começa dizendo que Deus apareceu junto com o universo.
Não diz que Deus foi criado.
Não diz que Deus fazia parte do universo.
Ela simplesmente apresenta:
No princípio... Deus.
E depois:
Deus criou.
Isso significa que existe uma diferença fundamental entre Deus e tudo aquilo que Ele criou.
Deus não é criação.
A criação depende de Deus.
Deus não depende da criação.
E essa ideia aparece repetidamente nas Escrituras.
Deus não cabe dentro de um lugar
Quando Salomão dedica o templo, ele faz uma declaração que eu acho simplesmente maravilhosa:
“Mas, de fato, habitaria Deus na terra? Eis que os céus, e até o céu dos céus, não te poderiam conter, quanto menos esta casa que eu edifiquei!”
— 1 Reis 8:27
Pensa nisso.
O templo era importantíssimo para Israel. Era um lugar de culto, de encontro e de manifestação da presença de Deus.
Mas Salomão sabia que Deus não estava literalmente preso naquele prédio.
Ele pergunta:
“Os céus dos céus não poderiam conter Deus... então como uma casa construída por homens poderia contê-lo?”
Isso já nos mostra algo muito importante.
Deus pode manifestar sua presença em determinado lugar.
Mas Deus não pode ser limitado por um lugar.
Ele não cabe dentro de uma construção.
E também não cabe dentro de uma definição humana.
“A quem, pois, fareis semelhante a Deus?”
Isaías faz uma pergunta que, sinceramente, é muito poderosa:
“A quem, pois, fareis semelhante a Deus? Ou com que o comparareis?”
— Isaías 40:18
Depois ele pergunta novamente:
“A quem, pois, me comparareis para que eu lhe seja igual?”
— Isaías 40:25
E Deus declara:
“Eu sou Deus, e não há outro.”
— Isaías 45:22
É como se Deus estivesse dizendo:
Não existe ninguém que possa ser colocado ao meu lado como meu equivalente.
E isso é importante porque muitas vezes tentamos entender Deus comparando-o com alguma coisa que já conhecemos.
“Deus é como...”
Mas Deus não é simplesmente uma versão maior de alguma coisa criada.
Não existe criatura que consiga servir como uma comparação perfeita para o Criador.
Podemos conhecer Deus sem conseguir esgotá-lo
Essa talvez seja uma das coisas mais importantes de entender.
O Salmo 145 diz:
“Grande é o Senhor e mui digno de ser louvado; a sua grandeza é insondável.”
— Salmo 145:3
“Insondável” carrega justamente essa ideia de algo que não conseguimos explorar completamente.
Jó também pergunta:
“Porventura, alcançarás os caminhos de Deus ou chegarás à perfeição do Todo-Poderoso?”
— Jó 11:7
E continua:
“Como as alturas dos céus é a sua sabedoria; que poderás tu fazer?”
— Jó 11:8
Então existe uma diferença enorme entre:
conhecer Deus
e
conhecer Deus completamente.
Eu posso conhecer uma pessoa de verdade sem conhecer absolutamente tudo sobre ela.
Da mesma maneira, podemos conhecer verdadeiramente Deus sem jamais conseguir esgotar tudo aquilo que Ele é.
Jó descobriu isso de uma maneira muito profunda
Jó queria entender o que estava acontecendo.
Ele queria respostas.
Queria saber por que determinadas coisas estavam acontecendo com ele.
E quando Deus finalmente fala com Jó, acontece algo muito interessante.
Deus não entrega simplesmente uma lista de respostas para todas as perguntas.
Ele começa perguntando:
“Onde estavas tu, quando eu fundava a terra?”
— Jó 38:4
Deus começa mostrando a Jó a grandeza da criação.
E no final, Jó reconhece:
“Bem sei que tudo podes, e nenhum dos teus pensamentos pode ser impedido.”
— Jó 42:2
E depois diz:
“Eu te conhecia só de ouvir, mas agora os meus olhos te veem.”
— Jó 42:5
Isso mexe muito comigo.
Porque Jó já sabia coisas sobre Deus.
Mas depois de encontrar Deus, percebeu que saber sobre Deus não é a mesma coisa que compreender a grandeza de Deus.
Ele conhecia.
Mas percebeu que ainda havia muito mais.
Moisés também encontrou esse limite
Moisés teve experiências extraordinárias com Deus.
Mas mesmo assim ele pediu:
“Rogo-te que me mostres a tua glória.”
— Êxodo 33:18
E Deus respondeu:
“Não poderás ver a minha face, porquanto homem nenhum verá a minha face e viverá.”
— Êxodo 33:20
Isso não quer dizer que Deus tenha literalmente um rosto humano que Moisés não pudesse olhar.
A ideia é muito mais profunda.
A plenitude da manifestação de Deus ultrapassa aquilo que o ser humano consegue suportar e compreender.
Moisés recebeu uma revelação verdadeira de Deus.
Mas não recebeu uma compreensão completa e ilimitada de Deus.
Deus não pode ser reduzido a uma imagem
Antes de Israel entrar na Terra Prometida, Moisés diz:
“Guardai, pois, com diligência as vossas almas, pois aparência nenhuma vistes no dia em que o Senhor vos falou em Horebe.”
— Deuteronômio 4:15
E continua:
“Não vos corrompais, fazendo para vós imagem de escultura, semelhança de alguma figura...”
— Deuteronômio 4:16
Por que isso era tão importante?
Porque Deus não queria que Israel transformasse sua realidade em uma representação criada.
Deus pode se revelar.
Mas não pode ser reduzido a uma estátua.
E, de certa forma, isso também vale para nossa mente.
Não devemos transformar Deus em uma pequena imagem mental que caiba perfeitamente dentro daquilo que conseguimos imaginar.
A Bíblia fala MUITO sobre quem Deus é
Então, cuidado com uma conclusão errada.
Quando dizemos que Deus não pode ser definido completamente, não estamos dizendo que a Bíblia não fala sobre Ele.
Ela fala. E fala muito.
A Bíblia diz que Deus é:
Criador — Gênesis 1:1
Espírito — João 4:24
Santo — Isaías 6:3
Eterno — Salmo 90:2
Onipotente — Gênesis 17:1
Onisciente — Salmo 139:1–6
Onipresente — Salmo 139:7–10
Justo — Deuteronômio 32:4
Bom — Salmo 100:5
Misericordioso — Êxodo 34:6
Compassivo — Salmo 103:8
Amoroso — 1 João 4:8
Fiel — Deuteronômio 7:9
Imutável — Malaquias 3:6
Verdadeiro — Jeremias 10:10
Luz — 1 João 1:5
Vida — João 14:6; Atos 17:25
Rei — Salmo 47:7
Juiz — Salmo 75:7
Salvador — Isaías 43:11
Pastor — Salmo 23:1
Pai — Mateus 6:9
Rocha — Deuteronômio 32:4
Refúgio — Salmo 46:1
Olha quanta coisa a Bíblia nos conta sobre Deus!
Então sim...
podemos falar sobre Deus.
Podemos ensinar sobre Deus.
Podemos estudar seus atributos.
Podemos conhecer seu caráter.
Podemos falar sobre suas obras.
Mas nenhuma dessas descrições, sozinha ou mesmo todas juntas, consegue esgotar Deus.
E quando Deus revela seu próprio nome?
Em Êxodo 3 acontece algo muito marcante.
Moisés pergunta:
“Qual é o seu nome?”
E Deus responde:
“EU SOU O QUE SOU.”
— Êxodo 3:14
Essa é uma das declarações mais profundas de toda a Bíblia.
Deus não responde:
“Eu sou filho de alguém.”
“Eu sou parte de alguma coisa.”
“Eu sou uma força dentro do universo.”
“Eu sou uma criatura superior.”
Ele diz:
EU SOU.
O nome revelado, associado ao tetragrama YHWH, está ligado à ideia da existência e da presença divina.
É como se Deus estivesse mostrando:
Eu não dependo de outro para existir.
Nós perguntamos:
“De onde você veio?”
Mas Deus não precisa apontar para outro ser que tenha criado Ele.
Ele simplesmente é.
“Eu sou o Senhor, e não há outro”
Essa declaração aparece várias vezes nos profetas.
“Eu sou o Senhor, e não há outro.”
— Isaías 45:5
“Antes de mim deus nenhum se formou, e depois de mim nenhum haverá.”
— Isaías 43:10
“Eu sou o primeiro e eu sou o último, e além de mim não há Deus.”
— Isaías 44:6
E ainda:
“Eu sou Deus, e não há outro Deus, não há outro semelhante a mim.”
— Isaías 46:9
Perceba uma coisa.
Deus não está dizendo apenas:
“Eu sou o melhor entre vários deuses.”
A declaração bíblica é muito mais forte.
Não existe outro semelhante a Ele.
Deus não precisa da criação para ser Deus
Quando Paulo chega a Atenas, ele diz:
“O Deus que fez o mundo e tudo o que nele existe, sendo Senhor do céu e da terra, não habita em santuários feitos por mãos humanas.”
— Atos 17:24
E acrescenta:
“Nem é servido por mãos humanas, como se de alguma coisa precisasse.”
— Atos 17:25
Isso é muito importante.
Nós precisamos de Deus.
Deus não precisa de nós para completar alguma coisa que esteja faltando nele.
Ele não depende da criação.
Nós, sim.
Paulo resume isso muito bem:
“Nele vivemos, e nos movemos, e existimos.”
— Atos 17:28
Nossa existência depende dele.
“Deus é Espírito”
Jesus disse algo muito simples e profundo:
“Deus é Espírito.”
— João 4:24
Por isso, quando a Bíblia fala sobre a “mão de Deus”, os “olhos de Deus”, o “braço de Deus” ou os “ouvidos de Deus”, não devemos imaginar automaticamente um corpo humano gigante vivendo no céu.
A Bíblia muitas vezes usa uma linguagem que nós conseguimos entender para comunicar realidades muito maiores.
É uma forma de Deus se revelar usando nossa linguagem.
A gente pode compreender alguma coisa sem conseguir compreender tudo.
Precisamos da revelação de Deus
Paulo escreve:
“Porque, qual dos homens sabe as coisas do homem, senão o espírito do homem, que nele está? Assim também ninguém sabe as coisas de Deus, senão o Espírito de Deus.”
— 1 Coríntios 2:11
Pense nisso.
Nós não conseguimos simplesmente olhar para Deus “de fora” e descobrir tudo sobre Ele usando apenas nossa capacidade humana.
Precisamos que Deus se revele.
E é justamente isso que a Bíblia mostra que Ele fez.
“Ninguém jamais viu a Deus”
João escreve:
“Ninguém jamais viu a Deus.”
— João 1:18
Mas logo depois apresenta uma verdade maravilhosa:
“O Deus unigênito, que está no seio do Pai, é quem o revelou.”
Isso muda tudo.
A resposta bíblica para a pergunta:
“Como podemos conhecer Deus?”
não é:
“Precisamos ser inteligentes o suficiente para chegar até Ele.”
É:
Deus decidiu se revelar a nós.
E essa revelação chega ao seu ponto máximo em Jesus Cristo.
Jesus é a revelação de Deus
Hebreus diz:
“Havendo Deus, outrora, falado, muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, nestes últimos dias nos falou pelo Filho.”
— Hebreus 1:1–2
E depois:
“Ele, que é o resplendor da glória e a expressão exata do seu Ser...”
— Hebreus 1:3
Paulo também afirma:
“Ele é a imagem do Deus invisível.”
— Colossenses 1:15
E:
“Nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade.”
— Colossenses 2:9
Então temos uma verdade linda aqui.
Deus é invisível em sua plenitude.
Nós não conseguimos esgotá-lo.
Mas Deus quis se tornar conhecido.
E a revelação suprema dessa realidade acontece em Jesus Cristo.
Jesus não veio simplesmente “definir” Deus
Jesus disse:
“Quem me vê a mim vê o Pai.”
— João 14:9
Isso não significa que Jesus seja o Pai. A Bíblia distingue o Pai e o Filho.
O que Jesus está mostrando é que o Filho revela perfeitamente o Pai.
João já havia dito:
“O Deus unigênito, que está no seio do Pai, é quem o revelou.”
— João 1:18
Então pense assim:
Jesus não transforma Deus em uma definição matemática.
Ele torna Deus conhecido.
É uma auto-revelação.
É Deus se mostrando ao ser humano.
E então chegamos à Trindade
Aqui as coisas ficam ainda mais profundas.
A Bíblia afirma que:
O Pai é Deus.
João 6:27
1 Coríntios 8:6
O Filho é Deus.
João 1:1
João 20:28
Hebreus 1:8
Tito 2:13
O Espírito Santo é Deus.
Atos 5:3–4
1 Coríntios 3:16; 6:19
Mas a Bíblia também mostra que:
O Pai não é o Filho.
João 17:1–5
O Filho não é o Espírito Santo.
João 14:16–17
O Pai não é o Espírito Santo.
Mateus 28:19
E ao mesmo tempo:
“Há um só Deus.”
— Deuteronômio 6:4; 1 Coríntios 8:4–6
É por isso que uma definição muito simples como:
“Deus é uma pessoa que mora no céu”
não consegue explicar tudo aquilo que a Bíblia afirma.
A doutrina da Trindade é uma síntese teológica do testemunho bíblico.
Ela tenta organizar aquilo que as Escrituras dizem sobre o Pai, o Filho e o Espírito Santo.
Mas ela não transforma Deus em algo que nossa mente possa dominar completamente.
E talvez seja justamente aí que precisamos ter humildade.
Paulo chega ao limite... e começa a adorar
Depois de escrever onze capítulos de Romanos tratando de assuntos profundos como pecado, promessa, eleição, misericórdia, justiça e soberania de Deus, Paulo chega a uma conclusão maravilhosa:
“Ó profundidade da riqueza, tanto da sabedoria como do conhecimento de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis, os seus caminhos!”
— Romanos 11:33
E depois:
“Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente.”
— Romanos 11:36
Isso me chama muito a atenção.
Paulo explicou muita coisa.
Mas, quando chegou ao limite daquilo que conseguia explicar...
ele adorou.
Teologia termina em adoração.
A gente estuda para conhecer.
Mas conhecer Deus deveria nos levar a adorá-lo, não a pensar que agora conseguimos colocá-lo dentro de uma caixinha.
Quanto mais a Bíblia revela Deus, mais percebemos que ainda há muito mais
Isso acontece várias vezes.
Moisés
Ele conhece Deus em Êxodo 3.
Mas depois ainda pede:
“Mostra-me a tua glória.”
— Êxodo 33:18
Jó
Ele conhece Deus em Jó 1–2.
Mas depois de encontrar-se com Deus diz:
“Eu te conhecia só de ouvir, mas agora os meus olhos te veem.”
— Jó 42:5
Isaías
Ele contempla a santidade de Deus em Isaías 6:1–5.
E sua reação não é:
“Agora eu defini Deus.”
É:
“Ai de mim!”
Ezequiel
Ele vê a manifestação da glória de Deus em Ezequiel 1.
Mas sua linguagem é cheia de expressões como:
“como...”
“semelhante a...”
“aparência de...”
Porque ele está tentando descrever algo que ultrapassa sua capacidade de colocar tudo em palavras.
João
João vê Cristo glorificado em Apocalipse 1.
Depois contempla o trono celestial em Apocalipse 4.
E a linguagem fica simbólica, majestosa, cheia de imagens.
A Bíblia inteira parece repetir uma verdade:
Deus pode ser conhecido, mas não pode ser reduzido.
O céu não tenta definir Deus. O céu adora Deus
Olha o que acontece em Apocalipse 4.
Os seres viventes dizem:
“Santo, Santo, Santo é o Senhor Deus, o Todo-Poderoso, aquele que era, que é e que há de vir.”
E os vinte e quatro anciãos respondem:
“Tu és digno, Senhor e Deus nosso, de receber a glória, a honra e o poder, porque todas as coisas tu criaste.”
É muito bonito isso.
No céu, diante da grandeza de Deus, a resposta não é:
“Vamos criar uma definição perfeita.”
A resposta é:
adoração.
🙏
E a Bíblia termina sem transformar Deus em uma fórmula
No final das Escrituras, Deus é apresentado como:
“o Alfa e o Ômega”
“o princípio e o fim”
“aquele que é, que era e que há de vir”
“o Todo-Poderoso”
— Apocalipse 1:8; 21:6; 22:13
Depois de toda a Bíblia...
depois de Gênesis...
Êxodo...
os profetas...
os Salmos...
os Evangelhos...
as cartas...
Apocalipse...
Deus continua sendo infinitamente maior do que qualquer fórmula que possamos criar.
Então... podemos definir Deus?
Aqui precisamos tomar cuidado com o significado da palavra “definir”.
Se definir significa:
descrever verdades reais sobre quem Deus é, então sim.
A Bíblia faz isso o tempo inteiro.
Podemos dizer:
Deus é eterno.
Deus é santo.
Deus é justo.
Deus é amor.
Deus é Espírito.
Deus é Criador.
Deus é onipotente.
Deus é onisciente.
Deus é onipresente.
Deus é pessoal.
Deus é triúno.
Tudo isso é conhecimento verdadeiro sobre Deus.
Mas se definir significa:
colocar Deus dentro de uma fórmula que explique completamente aquilo que Ele é, sem deixar absolutamente nada além para conhecer...
Então não.
Isso a Bíblia não permite.
Conhecer não é o mesmo que compreender tudo
Talvez essa seja a parte mais importante de todas.
Pensa no oceano 🌊
Você pode conhecer o oceano.
Pode saber que ele existe.
Pode entrar nele.
Pode estudar sua composição.
Pode conhecer suas correntes.
Pode medir sua temperatura.
Pode navegar nele.
Mas isso não significa que você tenha esgotado o oceano.
Agora pensa na diferença entre nós e Deus.
Nós somos criaturas finitas.
Deus é o Criador.
A Bíblia diz:
“Porque, agora, vemos como em espelho, obscuramente...”
— 1 Coríntios 13:12
E Paulo continua:
“Agora conheço em parte.”
Percebe a beleza disso?
Ele não diz:
“Não conheço nada.”
Ele diz:
“Conheço em parte.”
Essa é exatamente a posição bíblica.
Nós podemos conhecer Deus de verdade.
Mas não conseguimos esgotá-lo.
Até a filosofia reconhece que essa pergunta é muito maior
E aqui entra uma parte interessante.
A discussão sobre Deus não ficou somente dentro da teologia.
Filósofos cristãos, judeus, muçulmanos e também filósofos não religiosos passaram séculos discutindo o que exatamente significa falar sobre Deus.
David Hume, por exemplo, questionou profundamente a capacidade da razão humana de justificar determinadas afirmações metafísicas sobre Deus.
Kant, embora não possa ser simplesmente colocado na categoria de ateu, também questionou a possibilidade de a razão teórica tratar Deus como trata objetos que podemos observar empiricamente.
E isso mostra uma coisa interessante:
Mesmo quando alguém não acredita em Deus, ainda existe uma pergunta anterior:
o que exatamente estamos querendo dizer quando usamos a palavra “Deus”?
A filosofia da religião continua discutindo questões como:
onipotência
onisciência
eternidade
perfeição
simplicidade
bondade
existência
transcendência
E não existe uma definição universalmente aceita de Deus.
Existem concepções diferentes, muitas vezes profundamente diferentes.
Então a pergunta é maior do que simplesmente:
“Qual é a definição de Deus?”
Talvez uma pergunta ainda mais profunda seja:
“É possível que uma mente finita formule adequadamente um conceito sobre uma realidade infinita?”
Essa é uma questão filosófica enorme.
Mas a Bíblia não trata Deus como alguém confuso
Isso também precisa ficar claro.
A Bíblia não diz:
“Deus é impossível de entender porque Ele não faz sentido.”
Não é isso.
Paulo diz:
“Ó profundidade da riqueza, tanto da sabedoria como do conhecimento de Deus!”
E Isaías registra:
“Os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos, os meus caminhos, diz o Senhor.”
— Isaías 55:8
E:
“Assim como os céus são mais altos do que a terra, assim são os meus caminhos mais altos do que os vossos caminhos.”
— Isaías 55:9
A questão não é que Deus seja irracional.
A questão é que Deus é infinitamente maior do que nós.
A incompreensibilidade de Deus não é uma falha em Deus.
É uma consequência da diferença entre o Criador infinito e a criatura finita.
Mistério não significa contradição
Isso é muito importante, especialmente quando falamos sobre Trindade e encarnação.
Quando os cristãos dizem que Deus é um mistério, isso não significa:
“Qualquer coisa vale.”
Nem significa:
“Não faz sentido nenhum.”
Mistério é uma verdade que pode ser conhecida, mas cuja profundidade não conseguimos esgotar completamente.
Por exemplo, a Bíblia afirma:
Deus é um.
E também apresenta Pai, Filho e Espírito Santo como distintos.
A teologia tenta compreender como essas afirmações se relacionam.
Mas nenhuma explicação humana transforma Deus em algo totalmente dominável pela nossa mente.
E talvez seja exatamente isso que devemos esperar de Deus.
Até os nomes de Deus mostram que nenhum nome sozinho é suficiente
A Bíblia apresenta muitos nomes e títulos para Deus.
Temos:
Elohim
que destaca Deus como Deus e Criador.
YHWH
o nome revelado em Êxodo 3.
El Shaddai
tradicionalmente associado ao Deus Todo-Poderoso.
Adonai
“Senhor”.
Mas nenhum nome isoladamente é uma definição completa.
A própria Bíblia apresenta vários outros:
El Elyon — Deus Altíssimo.
El Shaddai — Deus Todo-Poderoso.
YHWH-Jireh — O Senhor proverá.
YHWH-Rapha — O Senhor que cura.
YHWH-Nissi — O Senhor é minha bandeira.
YHWH-Shalom — O Senhor é paz.
YHWH-Raah — O Senhor é pastor.
E ainda temos:
Pai.
Rei.
Juiz.
Pastor.
Rocha.
Redentor.
Salvador.
Fogo consumidor.
Luz.
Amor.
Espírito.
Nenhum desses nomes é falso.
Mas nenhum deles, sozinho, consegue conter tudo aquilo que Deus é.
“Deus é amor” significa que Deus é apenas amor?
Não.
João escreveu:
“Deus é amor.”
— 1 João 4:8
Essa é uma das afirmações mais lindas da Bíblia.
Mas não significa que Deus seja apenas uma emoção chamada amor.
A própria Bíblia também diz:
“fogo consumidor”
— Hebreus 12:29
Também diz:
“Santo, Santo, Santo”
— Isaías 6:3
E:
“Justo é o Senhor em todos os seus caminhos.”
— Salmo 145:17
E:
“Deus é verdadeiro.”
— João 3:33
Então não precisamos escolher entre esses atributos.
Deus é amor.
Deus é santo.
Deus é justo.
Deus é misericordioso.
Deus é verdadeiro.
Sua justiça não elimina seu amor.
Seu amor não elimina sua santidade.
Sua santidade não elimina sua misericórdia.
E sua misericórdia não significa que não exista juízo.
Estamos falando do mesmo Deus.
Deus não é uma soma de características
Nós somos diferentes.
Eu posso ser alegre em um momento e triste em outro.
Posso ser inteligente em uma área e completamente ignorante em outra.
Tenho características diferentes e posso mudar com o tempo.
Mas Deus não é uma espécie de soma:
30% amor...
20% justiça...
20% poder...
10% misericórdia...
e assim por diante.
Não.
A teologia cristã clássica desenvolveu a doutrina da simplicidade divina, entendendo que Deus não é composto de partes.
Ele não é uma criatura formada por pedaços.
E isso ajuda a explicar por que não podemos simplesmente separar “Deus” de suas características como fazemos conosco.
Deus não muda como nós mudamos
A Bíblia diz:
“Eu, o Senhor, não mudo.”
— Malaquias 3:6
Também:
“Deus não é homem, para que minta; nem filho do homem, para que se arrependa.”
— Números 23:19
E:
“Em quem não pode existir variação ou sombra de mudança.”
— Tiago 1:17
Isso não significa que Deus não age.
Ele age.
Ele cria.
Ele julga.
Ele perdoa.
Ele fala.
Ele envia.
Ele salva.
Ele responde.
Mas sua natureza não sofre alterações como a nossa.
Nós recebemos a existência. Deus é a fonte dela
Nós podemos dizer:
“Eu existo.”
Mas a nossa existência depende de muitas coisas.
Precisamos nascer.
Precisamos de alimento.
Precisamos respirar.
Precisamos de condições para continuar vivos.
Nossa existência é dependente.
A Bíblia apresenta Deus de uma maneira completamente diferente.
Paulo diz:
“Pois nele vivemos, e nos movemos, e existimos.”
— Atos 17:28
E Deus diz:
“EU SOU.”
— Êxodo 3:14
Existe uma diferença enorme aí.
Nós recebemos existência.
Deus é a fonte da existência das criaturas.
Será que até nossa tentativa de definir Deus pode se tornar uma espécie de idolatria?
Essa é uma reflexão que eu acho muito séria.
Quando pensamos em idolatria, normalmente imaginamos uma estátua.
Uma imagem.
Um objeto.
Mas existe também uma espécie de idolatria intelectual.
É quando reduzimos Deus àquilo que nossa mente consegue conter.
Quando alguém diz:
“Deus é exatamente isso e nada além disso.”
talvez esteja fazendo intelectualmente algo parecido com aquilo que Israel fazia fisicamente:
reduzindo o Deus infinito a uma representação finita.
E é justamente por isso que Deus proibiu imagens destinadas a representá-lo.
O segundo mandamento ajuda a entender isso
Êxodo 20:4 diz:
“Não farás para ti imagem de escultura, nem semelhança alguma...”
O problema não é simplesmente a existência de arte.
A própria Bíblia apresenta elementos visuais, querubins e símbolos.
O problema é transformar uma representação criada em algo que pretenda conter ou representar adequadamente a realidade divina.
Deus não cabe em uma estátua.
E também não cabe na nossa imaginação.
Então a Bíblia nos apresenta três verdades ao mesmo tempo
E isso ajuda MUITO a entender tudo.
1. Deus é incognoscível em sua plenitude
Nós não conseguimos esgotá-lo.
Jó 11:7–9
Salmo 145:3
Isaías 40:28
Romanos 11:33
1 Coríntios 13:12
2. Deus é cognoscível porque se revela
Podemos conhecê-lo verdadeiramente.
Êxodo 3
Êxodo 34:5–7
Salmo 19
João 1:18
João 14:9
Hebreus 1:1–3
3. O conhecimento perfeito pertence a Deus
Jesus disse:
“Ninguém conhece o Filho, senão o Pai; e ninguém conhece o Pai, senão o Filho...”
— Mateus 11:27
E Paulo escreve:
“Qual dos homens sabe as coisas do homem, senão o espírito do homem, que nele está?”
— 1 Coríntios 2:11
Ou seja:
Deus conhece Deus perfeitamente.
Nós conhecemos Deus na medida em que Ele se revela a nós.
E Jesus chama isso de vida eterna
Jesus disse:
“E a vida eterna é esta: que te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste.”
— João 17:3
Olha que lindo.
Se Deus fosse completamente incognoscível, no sentido de que não poderíamos conhecer absolutamente nada sobre Ele, Jesus não poderia descrever a vida eterna como:
conhecer Deus.
Então a verdade é:
Deus pode ser conhecido.
Mas:
Deus não pode ser esgotado.
Então qual é a definição mais cuidadosa que podemos dar?
Se alguém me perguntasse:
“Como se define Deus?”
eu responderia assim:
Deus não pode ser definido de maneira exaustiva por uma mente humana, porque Ele é o Criador infinito, eterno, transcendente e independente de todas as coisas criadas. Contudo, Deus pode ser verdadeiramente conhecido porque Ele mesmo se revela nas Escrituras, na criação, na história da redenção e, de maneira suprema, em Jesus Cristo.
Ou, de maneira bem mais simples:
Deus não pode ser completamente definido; pode ser verdadeiramente conhecido.
Pra mim, essa é a chave de tudo. ❤️
Talvez a melhor “definição” seja justamente uma frase que não funciona como definição
Lembra do que Deus disse a Moisés?
“EU SOU O QUE SOU.”
— Êxodo 3:14
Deus não disse:
“Eu pertenço a determinada categoria.”
Ele simplesmente se apresenta.
EU SOU.
E isso combina perfeitamente com aquilo que vemos no restante das Escrituras.
No Apocalipse:
“Eu sou o Alfa e o Ômega... aquele que é, que era e que há de vir, o Todo-Poderoso.”
— Apocalipse 1:8
De Gênesis até Apocalipse, Deus é apresentado como aquele que existe por si mesmo, cria todas as coisas, sustenta todas as coisas, transcende todas as coisas e se revela às suas criaturas.
E aqui está, talvez, o maior paradoxo do cristianismo
O Deus que não pode ser contido pela mente humana decidiu tornar-se conhecido pelo ser humano.
O Deus que:
“os céus dos céus não podem conter”
— 1 Reis 8:27
entra na história.
O Deus invisível, sobre quem João diz:
“Ninguém jamais viu a Deus”
— João 1:18
é revelado no Filho.
Aquele que é Espírito:
João 4:24
assume verdadeira humanidade:
João 1:14
Aquele que é eterno entra no tempo.
Aquele que é o Criador se relaciona com sua criação.
Aquele que não pode ser definido se deixa conhecer.
E João resume isso de uma forma maravilhosa:
“E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória.”
— João 1:14
😭❤️
É difícil pensar em algo mais profundo do que isso.
“Deus é mistério” não significa que podemos inventar qualquer coisa
Isso também precisa ficar muito claro.
Não podemos simplesmente dizer:
“Deus é um mistério, então cada pessoa pode imaginar Deus como quiser.”
Não.
Porque Deus se revelou.
Então existe um limite.
Biblicamente, Deus não é:
uma criatura
uma força impessoal
o universo
um homem glorificado
um ser limitado
simplesmente “energia”
um deus entre vários deuses equivalentes
uma invenção da mente humana
A Bíblia apresenta Deus como Criador pessoal, eterno, santo, soberano, espiritual, único e transcendente, que se revela e entra em relacionamento com sua criação.
Paulo chegou ao limite da explicação... e adorou
Depois de tudo que escreveu em Romanos, Paulo termina dizendo:
“Ó profundidade da riqueza, tanto da sabedoria como do conhecimento de Deus!”
E continua:
“Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis, os seus caminhos!”
E então:
“Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém!”
— Romanos 11:33–36
Percebe o que aconteceu?
Paulo tentou explicar.
E explicou MUITA coisa.
Mas chegou um momento em que ele percebeu:
Deus é maior do que minhas palavras.
E então ele adorou.
Isso é muito bonito.
Porque talvez exista uma diferença entre conhecer Deus e tentar dominar Deus intelectualmente.
Nós estudamos.
Perguntamos.
Pesquisamos.
Lemos.
Pensamos.
Debatemos.
E tudo isso é bom.
Mas, no final...
adoramos. 🙏
Então, como se define Deus?
Talvez essa seja a resposta mais completa que conseguimos dar:
Deus não cabe em uma definição.
Mas isso não significa que não possamos conhecê-lo.
Nós podemos estudar seus nomes.
Podemos estudar seus atributos.
Podemos estudar suas obras.
Podemos estudar sua natureza.
Podemos estudar sua relação com a criação.
Podemos estudar a Trindade.
Podemos conhecer Cristo.
Podemos conhecer sua vontade.
Podemos experimentar sua graça.
Podemos crescer no conhecimento dele.
Mas depois de tudo isso...
ainda haverá infinitamente mais em Deus do que aquilo que nossa mente conseguiu compreender.
Nós conhecemos Deus.
Mas não o esgotamos.
Nós podemos falar verdadeiramente sobre Deus.
Mas não conseguimos encerrá-lo em nossas palavras.
Podemos contemplar sua revelação.
Mas não podemos colocar o Infinito dentro de uma definição finita.
E talvez seja exatamente por isso que a Bíblia termina não com uma definição de Deus, mas com adoração:
“Ao único Deus, nosso Salvador, por meio de Jesus Cristo, nosso Senhor, glória, majestade, império e autoridade, antes de todas as eras, e agora, e por todos os séculos. Amém!”
— Judas 1:25
Em uma frase...
Se eu tivesse que resumir tudo isso em apenas uma frase, seria:
Deus não pode ser definido exaustivamente porque Ele é infinitamente maior do que a criação e do que a capacidade cognitiva humana; porém, pode ser conhecido verdadeira e progressivamente porque o próprio Deus decidiu revelar-se — culminando essa revelação em Jesus Cristo.
E existe uma coisa que acho ainda mais bonita.
A Bíblia não termina dizendo:
“Já descobrimos tudo sobre Deus.”
Ela diz:
“Conheçamos e prossigamos em conhecer ao Senhor.”
— Oséias 6:3
Ou seja...
Deus é inesgotável, mas não é incognoscível. ❤️
Podemos conhecê-lo.
Podemos buscá-lo.
Podemos crescer nesse conhecimento.
Podemos caminhar com Ele.
Mas nunca vamos chegar ao ponto de dizer:
“Agora eu compreendi Deus completamente.”
Porque Deus continuará sendo Deus.
Maior que a nossa mente.
Maior que nossas palavras.
Maior que nossas definições.
Maior que tudo aquilo que conseguimos imaginar.
E talvez seja justamente essa grandeza que torne tudo tão maravilhoso...
nós, seres tão pequenos, podemos conhecer o Deus infinito porque Ele quis se dar a conhecer. 🙏❤️
E quando chegamos ao limite das nossas palavras...
resta aquilo que Paulo fez:
adorar.
Amém. 🙏

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